Leonardo da Vinci

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Leonardo da Vinci foi um polímata, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. Considerado um dos precursores da aviação e da balística. Leonardo foi, sem dúvidas, o arquétipo do homem do Renascimento, alguém cuja curiosidade insaciável era igualada apenas pela sua capacidade de invenção. É considerado um dos maiores pintores de todos os tempos e como possivelmente a pessoa dotada de talentos mais diversos a ter vivido até hoje.

Casa

Casa onde nasceu Leonardo em Vinci.

Nasceu em 15 de abril de 1452, “na terceira hora da noite”, de um sábado, no vilarejo de Anchiano, na comuna italiana de Vinci, na Toscana, situada no vale do rio Arno, dentro do território dominado à época por Florença. Era filho ilegítimo de Messer Piero Fruosino di Antonio da Vinci, um notário florentino, e Caterina, uma camponesa que pode ter sido uma escrava oriunda do Oriente Médio. Leonardo não tinha um sobrenome no sentido atual; “da Vinci” significa simplesmente “de Vinci”: seu nome completo de batismo era “Leonardo di ser Piero da Vinci”, que significava “Leonardo, (filho) de (Mes)ser, Piero de Vinci”. O próprio Leonardo da Vinci assinava seus trabalhos simplesmente como Leonardo ou Io Leonardo (“Eu, Leonardo”); presume-se que ele não usou o nome do pai por causa do estado ilegítimo.

Infância, 1452–1468

Pouco se sabe da infância de Leonardo. Provavelmente passou os seus primeiros quatro ou cinco anos no vilarejo de Anchiano. Depois do casamento de sua mãe com um lavrador de nome Accattabriga di Piero del Vaca, mudou-se para a casa da família de seu pai, de seu avô, Antonio, e tio, Francesco, na paróquia de Santa Croce em Vinci. Cresceu em um ambiente bucólico e aconchegante, o que é significativo na personalidade de um Leonardo ligado a natureza. De sua infância temos apenas esses relatos:

“Parece-me que sempre fui destinado a me interessar muito profundamente por falcões, pois lembro-me como uma de minhas primeiras recordações que, quando estava no berço, um falcão desceu sobre mim e abriu-me a boca com a cauda, e me bateu muitas vezes entre os lábios com ela.”

“Cheguei à boca de uma imensa caverna, diante da qual me quedei por algum tempo estupefato, pois ignorava a sua existência (…) e após ficar ali algum tempo, de repente despertaram dentro de mim duas emoções — medo e desejo — medo da escura e ameaçadora caverna, desejo de ver se haveria alguma coisa maravilhosa lá dentro”.

Formação, 1469–1476

Em 1469, com dezessete anos, Leonardo muda-se para Florença, cidade que vivia com intensidade os acontecimentos da Renascença e onde se encontravam os melhores e mais influentes artistas da Itália e da Europa. Procurou o caminho das artes e do estudo informal pois não recebera educação formal, naquela época filhos bastardos, sem sobrenome e sem família influente não eram aceitos nas escolas tradicionais. Opta por estudar as ciências e as artes de forma não convencional e torna-se aprendiz de um dos mais bem-sucedidos artistas de seu tempo, Andrea di Cione, conhecido como Verrocchio (Olho verdadeiro). O ateliê de Verrocchio estava no centro das correntes intelectuais de Florença, o que garantiu ao jovem Leonardo uma educação nas ciências e artes humanas. Outros pintores famosos que passaram por um aprendizado neste mesmo ateliê foram Ghirlandaio, Perugino, Botticelli e Lorenzo di Credi. Leonardo foi exposto desde cedo a uma vasta gama de técnicas, e teve a oportunidade de aprender desenho técnico, química, metalurgia, mecânica, carpintaria, a trabalhar com materiais como couro e metal, fazer moldes, além das técnicas artísticas de desenho, pintura, escultura e modelagem.

Boa parte da produção de pinturas do ateliê de Verrocchio era feita por seus funcionários. De acordo com Vasari, Leonardo colaborou com Verrocchio em seu O Batismo de Cristo, pintando o jovem anjo da esquerda, que segura a túnica de Jesus de maneira tão superior ao seu próprio mestre que Verrocchio teria decidido nunca mais pintar. Isto provavelmente é um exagero; mas um exame atento da pintura mostra que existem diversos retoques feitos sobre a têmpera utilizando a nova técnica de pintura a óleo, como o cenário, as rochas que podem ser vistas ao fundo e boa parte da figura do próprio Jesus, todas testemunhas da mão de Leonardo.

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Monalisa – A obra mais famosa de Leonardo da Vinci.

Em 1472, com vinte anos de idade, Leonardo se qualificou para o cargo de mestre na Guilda de São Lucas, uma guilda de artistas e doutores em medicina, porém mesmo depois de seu pai ter montado seu próprio ateliê, sua ligação com Verrocchio permaneceu tal que ele continuou a colaborar com ele. Aos poucos, as pessoas da corte passam a fazer encomendas diretamente a Leonardo. Sua obra mais antiga a ser datada é um desenho em pena e tinta do vale do Arno, feito em 5 de agosto de 1473.

“O Homem é único não porque produz ciência, e ele não é único porque produz arte, mas sim porque ciência e arte, igualmente, são expressões da maravilhosa plasticidade de sua mente.”

Bronowski, The Ascent of Man

O Profissional, 1476–1513

Sua vida profissional incia com um escândalo. Em 1476, Leonardo da Vinci, juntamente com mais três alunos do ateliê de Verrocchio, foram acusados de sodomia; segundo a acusação referente a Leonardo, ele teria tido relações homossexuais com Jacopo Saltarelli, um jovem de 17 anos muito popular à época em Florença como prostituto. Diante, no entanto, da falta de provas concretas que confirmassem semelhante acusação, Leonardo foi absolvido. A partir desta data até 1478 não existem registros nem de obras suas nem de seu paradeiro, embora se costuma presumir que Leonardo tenha estado no ateliê, em Florença, entre 1476 e 1481. Em 1478 foi-lhe encomendada a pintura de um retábulo para a Capela de São Bernardo, e a Adoração dos Magos, em 1481, para os monges de San Donato a Scopeto. Esta importante encomenda foi interrompida com a ida de Leonardo para Milão.

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O batismo de Cristo – Obra famosa de Leonardo da Vinci

Leonardo permaneceu trabalhando em Milão, de 1482 a1499. Recebeu encomendas importantes nessa época. pintou a Virgem dos Rochedos para a Confraria da Imaculada Conceição, e a Última Ceia para o mosteiro de Santa Maria delle Grazie. Trabalhou em diversos projetos, incluindo o preparo de carros alegóricos e desfiles para ocasiões especiais, o projeto de uma cúpula para a Catedral de Milão, e um modelo de um imenso monumento equestre para Francesco Sforza. Setenta toneladas de bronze foram separadas para a sua confecção; o monumento permaneceu inacabado durante anos (não terminar encomendas foi algo comum na carreira de Leonardo). Sobre esse projeto existe um acontecimento interessante que marca bem sua relação com um famoso artista da época, Michelangelo. Segundo consta, Leonardo começou a fazer os projetos detalhados para a sua fundição; Michelangelo, no entanto, sugeriu, de maneira indelicada, que Leonardo seria incapaz de fazê-lo. Como Leonardo não foi pode terminar a encomenda devido a sua magnitude – era considera a maior obra de bronze da história, em novembro de 1494 Ludovico usou todo o bronze destinado à obra para fabricar canhões, visando defender a cidade da invasão de Carlos VIII da França. Para mitigar ainda mais os feitos de da Vinci, as tropas invasoras francesas de Luís XII utilizaram-se do modelo de argila do Gran Cavallo como alvo para pratica tiro.

A Última Ceia

A Última Ceia

Leonardo era e ainda é, conhecido principalmente como pintor. Duas de suas obras, a Mona Lisa e A Última Ceia, estão entre as pinturas mais famosas, mais reproduzidas e mais parodiadas de todos os tempos. Sua fama compara-se apenas à Criação de Adão, de Michelangelo. Porém Leonardo também foi um grande cientista e anatomista. O desenho do Homem Vitruviano é tido como um ícone cultural, foi reproduzido por todas as partes, desde o euro até camisetas, e marca sua fase de estudos anatômicos do homem e de animais.

O Anatomista – 1490-1519

A formação de Leonardo na anatomia do corpo humano iniciou-se com o seu aprendizado no ateliê de Andrea del Verrocchio, seu mestre insistia que todos os alunos deviam aprender anatomia. Como artista, ele rapidamente se tornou mestre da anatomia topográfica, realizando muitos estudos de músculos, tendões e outras características anatômicas visíveis.

Como um artista de sucesso, ele recebeu a permissão para dissecar cadáveres humanos no Hospital de Santa Maria Nuova, em Florença e mais tarde no hospital de Milão e Roma. Entre 1510 e 1511, colaborou em seus estudos o médico Marcantonio della Torre, e juntos elaboraram um trabalho teórico sobre a anatomia, em que Leonardo fez mais de 200 desenhos. Foi publicado apenas em 1680 (161 anos após sua morte), integrando o Trattato della Pittura.

Leonardo desenhou muitos estudos sobre o esqueleto humano e suas partes, bem como os músculos e nervos, o coração e o sistema vascular, os órgãos sexuais, e outros órgãos internos. Ele fez um dos primeiros desenhos científicos de um feto no útero. Como artista, Leonardo observou e registrou cuidadosamente os efeitos da idade e da emoção humana sobre a fisiologia, estudando em particular os efeitos da raiva. Ele também desenhou muitas figuras importantes que tinham deformidades faciais ou sinais de doença.

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Anatomia do Cavalo

Ele também estudou e desenhou a anatomia de animais diversos, bem como, dissecando vacas, aves, macacos, cavalos, ursos e rãs, e comparava seus desenhos em sua estrutura anatômica com o dos seres humanos.

Em 1491, o escritor e médico renascentista De Kethan publicou um livro intitulado Fasciculo de Medicina, que continha ilustrações do que o autor acreditava ser o funcionamento interno do corpo humano. Leonardo provavelmente possía uma cópia desse livro. Sabemos também que Leonardo leu algumas das antigas autoridades no assunto antes de iniciar suas próprias dissecções. No Codex Trivulzianus, ele afirma: “Medicina é a restauração de elementos que estão fora do equilíbrio; a doença é a descordância desses elementos infundida no corpo vivo”. Isso é uma citação dirata baseada em livros de Cornélio Celso que por sua vez é embasada em fundamentos aristotélicos. Mas Leonardo queria mais. Queria ele mesmo compreender o corpo humano, a perfeita máquina que ele sempre ilustrara tão bem e cujo fascino nunca saiu de seus pensamentos desdes os tempos de jovem pintor e escultor

Nos seu primeiros anos de investigações científicas ele havia feito muitas dissecções de cadaver animais, mas a quebra de tabu que representava violar o corpo humano deve ter exigido uma dureza de caráter. Isso ele deixa entrever nos anos posteriores às suas primeiras dissecções quando escreve:

“Já dissequei mais de dez corpos humano, destruindo todos os diversos membros e removendo as mais diminutas partículas de carne que rodeiam esses veias sem causar qualquer efusão de sangue… E como em único corpo não é o bastante para um período de tempo tão demorado, foi necessário prosseguir por fases com tantos corpos quanto necessários para que meu conhecimento se completasse; fiz isso duas vezes, a fim de determinar as diferenças. E, embora não devêssemos ter amor por essas coisas, podemos talvez ser desencorajados pela repugnância natural, e, se isso não no impedir, talvez sejamos dissuadidos pelo medo de passar horas noturnas em companhia desses cadáveres esquartejados, esfolados e horrorosos de se olhar… A respeito dessas coisas, quer leas tenham ou não sido encontradas em mim, os cento e vinte [capítulos] que eu compus darão o veredicto “sim” ou “não”.

Devemos lembrar que na época de Leonardo essa prática era considerada heresia e que se descoberta poderia condena-lo à morte. Por isso ele deve ter realizados essas dissecções, sozinho, na calada da noite e em constate perigo de infecção dos corpos em decomposição que estudava.

Outro trecho de seu livro nos permite entrar mais profundamente nas peculiaridades de estudos. Nos finais de 1507, ele escreve uma nota sobre a sorte de encontrar um velho indigente à quem teve oportunidade de dissecar:

velho

Desenhos das dissecções do “Velho”.

“O velho, umas poucas horas antes de sua morte, me dissera que havia vivido cem anos e que não sentia nada de errado com seu corpo senão fraqueza. E assim, enquanto eu estava sentado num leito do Hospital de Santa Maria Nuova, em Florença, sem qualquer movimento ou outro sinal de percalço, ele abandonou a vida. E eu fiz uma anatomia dele a fim de ver a causa de uma morte suave… Essa anatomia, eu a descrevi com muito cuidado e com muta facilidade devida à ausência de cordura e de humores que impedem grandemente o reconhecimento das partes.”

Essa única dissecção agiu como uma pedra de toque para muitas das pesquisas posteriores de Leonardo. Um dos primeiros trabalhos após a dissecção do Velho foi sobre o comportamento dos sentidos. Leonardo era em particular fascinado pelo olho e de como o cérebro era capaz de interagir para formar a visão. Ele talvez tenha sido o primeiro anatomista da história a observar como os nervos ópticos saem da parte posterior do olho e fazem conexões com o cérebro. Desenhou com bastante detalhe o quiasma óptico. Esse detalhe anatômico nos permite dizer que Leonardo conseguiu afastar-se da sabedoria clássica originada pelos gregos, que não oferecia qualquer explicação clara de como o cérebro e o olhos interagiam, e elaborar um processo mais científico sobre a visão.

Ele também foi capaz de iniciar os estudos de anatomia comparada quando comparou os músculos humanos com os de outros animais que ele dissecou. Mostrou como muitas funções eram comum entre as diversas espécies e destacou os músculos e nervos que desempenham papéis específicos. Uma das mais engenhosas contribuições do artista nesse campo foi uma técnica para demostrar como os músculos criavam o movimento do corpo. Substituindo os músculos dos braços e pernas dos cadáveres por arames e fios, ele os puxava para demonstrar como as contrações musculares encurtam as distancias entre os ossos e produzia o movimento. Em uma de suas notas podemos observar o desdobramento de suas observações:

“Se você já desenhou os ossos da mão e deseja desenhar os músculos que cobrem e unem os ossos, então desenhe fios, e não músculos. E digo fios e não linhas, de modo que se possa ver qual músculo repousa sobre ou bob o outro, dado que não se pode fazer isso com linha simples. E feito isso, adicionalmente, desenho uma oura mão mostrando o contorno real dos músculos.”

Em outra nota ele descreve:

“… desenhe fios antes dos músculos; esses fios servem para indicar o local dos músculos e devem ter suas terminações convergindo para onde os músculos se juntam aos ossos. Isso permitirá uma melhor compreensão quando você desenhar todos os músculos, um sobre o outro. De outro modo, o sue desenho parecerá confuso aos olhos de outras pessoas.” E num exemplo de como ele adorava encontrar ligações dentro da natureza, ele diz: “Nenhum movimento da mão e de seus dedos é realizado pelos músculos acima do cotovelo; e isso também acontece com os pássaros, e é por isso que eles são tão poderosos, porque todos os músculos que abaixam as asas têm origem no peito, e têm mais peso em si do que todo restante do pássaro reunido.”

Além dos músculos, olhos e cérebro, Leonardo também tentou desvendar o funcionamento do sistema respiratório e do sistema cardiovascular. Mas ainda faltava nessa época o conhecimento básico sobre os gases e fluidos. Neste período, os líquidos corporais (humores) ainda possuíam funções místicas e não compreendidas. Porém, Leonardo conseguiu descrever de eximia maneira a árvore respiratória e perceber que a laringe e a traqueia estão envolvidas na produção dos sons vocais. “Tentar ver como o som é produzido na parte anterior da traqueia….” descreveu ele em um de seus livros.

E continuou:

“Isso pode ser conseguido separando-s do corpo humano a traqueia juntamente com os pulmões. Então, tendo enchido os pulmões de ar e bloqueando-se rapidamente sua saída, pode-se ver imediatamente como o tubo traqueano produz voz. E isso pode-se ver e ouvir com precisão com a gargante de um cisne ou ganso, que podem ser postos a cantar muitas vezes depois da morte.”

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O Útero – o desenho anatômico mais famoso do artista.

Ele descreve o sistema circulatório com precisão aguçada para sua época. Porém, como dito anteriormente, algumas funções elementares do sangue e do ar ainda não haviam sido descritas da maneira que conhecemos hoje e dessa forma impediram um entendimento correto desses sistemas. Ainda assim, é impressionante algumas de suas afirmações:

“Os antigos dizem que o homem é o mundo menor; e essa expressão é certamente bem acertada, pois o homem é feito de terra, água, ar e fogo, seu corpo é o símile da terra. Enquanto o homem tem o osso como suporte e armadura da carne, a terra tem pedras como suporte do solo; onde o homem tem um reservatório de sangue, de onde o pulmão respirador aumenta e diminui, o corpo da terra tem sue mar oceano, que também enche e esvazia cada seis horas para deixar a terra respirar; onde os vasos sanguíneo se ramificam a partir do reservatório de sangue por todo o corpo humano, da mesma forma o oceano enche a corpo da terra com incontáveis vasos de água.”

Essa passagem de um dos codex de Leonardo nos vazem vislumbrar uma mente criativa e pensante, que tentava a todo custo, porém, com prazer e regojizo, desvendar e conectar os acontecimento naturais. Sem dúvidas ele foi um homem à frete de seu tempo, um revolucionário auto-didata.

Mediante todo o exposto nesse artigo, alguns poderão dizer que Leonardo cientista e anatomista tentou atingir o céu, produzindo pouca coisa de substância. Poderiam dizer que suas conclusões e métodos estavam errados. Isso seria uma avaliação injusta. Ele obteve resultados reais e verdadeiros até mesmo para o dias de hoje. Trabalhou de forma metódica e precisa com exatidão científica séculos à frente de seu tempo. Mesmo se Leonardo tive se concentrado em somente um assunto e apresentado os resultados que ele obteve, ainda assim ele seria lembrado até os dias de hoje tanto por seu gênio brilhante como por sua imaginação sem limites. E o fato dele ter conseguido um conjunto tão grande e em tão variada gama de disciplas o coloca em um patamar muito a cima de qualquer outro, cientista, anatomista ou artista. Frente isso, alguns poderiam dizer que Leonardo é a elevação máxima das faculdade humanas depositadas em um único ser. Ainda que parece exagero, alguns diriam que é simplesmente o mais justo.

Vesícula Biliar

Vesícula
A vesícula biliar é um órgão em forma de saco, parecido com uma pera, localizada abaixo do lobo direito do fígado. Sua função é armazenar a bile.
A bile é uma substância alcalina formada pelo fígado. É proveniente da mistura de 85% água, 10% bicarbonato de sódio e outros sais biliares, 3% pigmentos, 1% gordura, 0,7% sais inorgânicos e 0,3% colesterol.
O fígado produz cerca de 1 litro de bile por dia. A vesícula biliar é capaz de armazenar 20-50 ml de bile. A função da bile é auxiliar a digestão das gorduras.

A bile sai do fígado pelo ducto hepático que em seu trajeto até o intestino se une ao ducto cístico proveniente da vesícula biliar. Juntos, os canais cístico e hepático formam o ducto colédoco. Quando o bolo alimentar alcança o duodeno, primeira porção do intestino delgado, provoca um estímulo na vesícula biliar, que se contrai e joga a bile na luz do duodeno para facilitar a digestão das gorduras.


Colecistectomia Videolaparoscópica
Colecistectomia é a retirada cirúrgica da vesícula biliar. Apesar do desenvolvimento de técnicas não-cirúrgicas, ela é o melhor método para de se tratar a colelitíase sintomática (pedras), embora existam outras razões pela qual a cirurgia deve ser feita. As opções cirúrgicas incluem o procedimento padrão, chamado de colecistectomia laparoscópica, e um método invasivo mais antigo, chamado de colecistectomia aberta. A colecistectomia geralmente é indicada pela presença de cálculos dentro da vesícula biliar causando colecistite aguda ou crônica, porém pode ser indicada também por colecistite alitiásica, por pólipos da vesícula biliar, por neoplasias, dismotilidade vesicular sintomática, e como parte de outros procedimentos cirúrgicos. Em um pequeno número de pacientes a colecistectomia videlaparoscópica não é possível de ser realizada. Isto ocorre geralmente devido a dificuldades anatômicas ou do grau de inflamação devido a doença da vesícula. Quando o cirurgião converte uma cirurgia (transforma uma cirurgia por vídeo em cirurgia aberta), não se considera o fato como uma complicação mas sim como bom julgamento cirúrgico e de segunrança para o paciente. Fatores que podem levar a conversão da cirurgia fechada para aberta incluem obesidade excessiva, história de cirurgia abdominal prévia, sangramento de difícil contensão dentre outras dificuldades técnicas.